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Os Setores da Escola
...O SOL QUE ILUMINA A
CORTE...
Solte sua imaginação, pois a Grande Rio lhe convida a bailar!
Entregue-se a essa inebriante festa de requinte, luxo e
ostentação, da mais exuberante corte de todos os tempos, a Corte
do Rei Sol. Os fogos de artifício iluminam os jardins de
Versalhes! Prove dos melhores vinhos e champanhes desta corte,
servidos nas taças do mais refinado cristal.
O cenário é o majestoso salão dos espelhos do Palais du
Soleil! Neste salão de belezas ímpares, as imagens dos
grandes personagens que marcaram a história da França se
apresentam de forma atemporal num grande delírio lúdico. Observe
Maria Antonieta e Luis XVI, madames como du Barry ou a de
Pompadour. E como o grande anfitrião desta festa, Luis XIV, o rei
que brilhava como o sol!
É nesse envolvente e fascinante “Bal Masqué” de
reis e rainhas, duques e duquesas que nossa história vai começar!
O girar dos espelhos do imponente salão faíscam não só os reflexos
dos grandes lustres que o compõe, mas aproveitam também para nos
abrir um portal para o encanto da desconhecida Terra Brasilis.
OS ENCANTOS DE UMA TERRA CHAMADA BRASIL...
...E a França se encantou pelo Brasil! Fato nada estranho já que
por aqui fervilhava uma abundante e exuberante fauna e flora, como
bem descreveu Jean Lérry. Seus escritos sobre o Brasil refletiram
de maneira singular nossas belezas tropicais.
Seus olhos de certa forma foram os olhos da França e o primeiro
encanto veio na travessia, com os cardumes de peixes que saíam do
mar e se erguiam voando fora d’água! Em terra firme a beleza
plumária e pictórica dos índios tupinambás seduziram seu olhar. As
belas aves e o colorido dos frutos tropicais também contribuíram
para esse encanto!
Não foi só o “esplendor natural” que causou
encanto... A madeira usada para tingir era objeto de cobiça e
muito renderia àqueles que pudessem obter o monopólio comercial
desta árvore. Portanto, o escambo foi o meio encontrado para que,
de um lado os franceses levassem o pau-brasil, e os índios, por
sua vez, ganhassem espelhos e outras quinquilharias (colares,
pentes e miçangas).
Além do encantamento com a beleza natural e com a possibilidade de
lucros explorando o pau-brasil, a sensualidade de nossas índias
tupinambás quase fez cair por terra o sonho da França em se
estabelecer na nossa baía. A França Antártica por pouco não virou
pesadelo!
Mesmo contendo algumas controvérsias, foi gostoso esse contato com
o francês! Foi por causa dele que a cidade maravilhosa surgiu. A
possibilidade de se perder território para Villegaignon fez com
que o clã dos Sás expulsasse o “perigo” para longe. E assim sendo,
depois da “saída à francesa”, a cidade de São Sebastião do Rio de
Janeiro foi fundada no dia 1º de março de 1565.
A LUZ DE UM NOVO TEMPO...
Esse contato entre França e Brasil rendeu lucros muito maiores do
que aqueles meros “tostões” que a Coroa francesa lucrava com o
contrabando do pau-brasil. As experiências de vida dos índios
brasileiros cunharam, ainda que posteriormente, o terreno político
da França e serviram de base para a Revolução Francesa, ou seja, a
liberdade, a igualdade e a fraternidade dos nossos tupinambás se
transformaram, através dos ensaios de Montaigne, no lema
Liberté Egalité e Fraternité dos sans culottes, que não
eram índios!
Os devaneios de uma excêntrica rainha, somados aos privilégios de
um clero secular fizeram surgir o descontentamento de uma esfera
social, o dito 3º estado francês composto, em sua maior parte,
pelo povo e pela ascendente burguesia. Estes se rebelaram contra
os tais privilégios e assim se fez a Revolução!
A Revolução Francesa irradiou-se
como “fachos de luminosidade” que refletiram de certa forma em
outros lugares. Mesmo que, num primeiro momento, essa irradiação
não tenha sido suficiente para deflagrar movimentos arrebatadores
como o de 14 de julho de 1789, ao menos serviu para mostrar que as
coisas poderiam mudar, ou que estavam em processo de mudanças. Na
região das Minas Gerais do século XVIII, a “luminosidade
revolucionária” inspirou a Conjuração Mineira, que buscava uma
mudança na ordem interna da província. Na Bahia de Todos os
Santos, os ideais revolucionários da França foram absorvidos pelas
classes mais populares. A Conjuração Baiana, ou Revolta dos
Alfaiates, agregou em torno das idéias de igualdade, uma massa de
destituídos de direitos: ex-escravos, soldados, alfaiates e outros
mais. Esses foram os reflexos da Revolução Francesa no Brasil,
onde os ideais de liberdade guiaram o povo, tal como retratou,
numa sublime inspiração, Eugéne Delacroix.
ARTE COMO MISSÃO...
A Revolução Francesa e seus desdobramentos fizeram com que uma
grande leva de artistas, totalmente sem ambiente de trabalho em
solo pátrio, migrasse para outros lugares levando em sua bagagem
as novas tendências artísticas do século XIX, o Neoclassicismo.
Esta mesma Revolução foi a responsável também por tirar de seu
território, uma corte inteira! D.João se transferiu para o Brasil,
trazendo consigo toda uma corte com seus hábitos, costumes e
tendências, que por sua vez, não encontrariam um ambiente
favorável na colônia. O destino começou a conspirar a favor desses
ditos “destituídos de pátria”. D. João recebeu de portas abertas a
Missão Artística Francesa, em terras brasileiras. Agora o novo
reino passaria a ter requinte e os artistas teriam muito que
retratar!
Em território tropical desembarcaram, entre outros artistas,
escultores, arquitetos e pintores, em especial
Jean-Baptiste Debret. Ele soube, com seus pincéis,
matizar muito bem a essência mulata dessa colônia tropical. De
suas telas só não foi possível captar os sons dessa corte mestiça
na América, a primeira e única da história mundial! A arte
missionária dos franceses fez florescer no Brasil do século XIX, o
gosto pelo requinte europeu. E, é a partir da missão francesa que
os alicerces para a Escola de Belas Artes se configuraram,
consolidando a base para a construção de uma arte mais nacional!
DA PARIS CARIOCA A ETERNA PARIS...
...O Rio de Janeiro do século XIX respirava Paris! E a Rua do
Ouvidor, em especial, foi o centro deste exalar. Foi neste
endereço que não só a moda, mas outros muitos hábitos parisienses
se perpetuaram no dia-a-dia da cidade. Porém, se caso a presença
francesa, na carioca Ouvidor não fosse capaz de saciar a vontade
de muitos em estar em solo francês, restava ainda à possibilidade
efêmera da imaginação! Imaginação esta que possibilitava àqueles
que circulavam pelo reduto afrancesado na cidade, transpor um
“arco” que os levariam à triunfante Paris!
E agora, na eterna Cidade
luz, era possível deparar-se com seus inúmeros
monumentos. No passeio, fazer uma pausa para o exercício da boa
alimentação, aproveitar para devanear sobre os mais diversos
assuntos nos charmosos cafés e em meio à profusão de cores
desfocadas de um entardecer francês, perceber que a noite se
aproxima. As luzes da noite em Paris são como um espetáculo à
parte, que por si só, já valeria o passeio. E, sendo tudo isso
fruto da imaginação de muitos, cabe ainda aproveitar da essência
luxuriante dos cabarés parisienses, em especial da magia e
esplendor do Moulin Rouge, que encanta e seduz pela instigante
arquitetura de suas formas e pelos grandes espetáculos ali
encenados.
“PASSOS” PARA O FUTURO...
A França, através de seus encantos, seduziu Pereira Passos e sua
equipe de arquitetos, engenheiros e sanitaristas, a realizarem as
reformas urbanísticas no Rio de Janeiro no linear século XX.
Passos, então, Prefeito da Cidade, revolucionou a arquitetura da
capital do Brasil.
A Belle Époque vestia com glamour e requinte a capital
republicana. O Rio ganhava, então, ares europeus, mais
precisamente ares franceses. Transitar na cidade era quase o mesmo
que andar em Paris, haja vista a quantidade de ruas alargadas e
boulevard construídos. Talvez a única diferença fosse que seria
uma Paris mais acalorada. Não é a toa que o Rio de Janeiro na fase
inicial da República era conhecido como a “Paris dos Trópicos”.
Um dos exemplos dessa influência é a construção do Teatro
Municipal do Rio de Janeiro, prédio totalmente inspirado na
magnitude do Ópera de Paris que serviu para dar mais oportunidades
artísticas e culturais a um nova classe burguesa que se formava na
cidade.
Porém, não podemos esquecer que embora seduzidos pela França, nós
brasileiros encantávamos os olhos do mundo através do advento da
“máquina de voar”, tendo como cenário o solo francês. Sim, o 14
Bis de Santos Dumont estimulou a busca de novos caminhos para o
desenvolvimento.
A França alça hoje, vôos bem maiores que aqueles do passado. “As
flores de um maio” somadas ao universo intelectual composto de
renomados ícones, despertaram a atenção do mundo inteiro e
mostraram a evolução desta promissora nação que a partir de então
passou a buscar incessantemente novas tecnologias, aprimoramentos
científicos e conceitos arquitetônicos mais ousados, servindo de
inspiração e auxilio para muitas outras nações.
VOILA, CAXIAS...
É chegado o momento da grande confraternização. Peguemos nossa
bandeira tricolor e rumemos à grande Praça de La Concorde do
samba, a Marquês de Sapucaí. Não existe lugar mais apropriado para
comemorarmos essa união entre França e Brasil, que se delineou
desde os primórdios da nossa existência, quando os franceses aqui
chegaram. Misturemos nossa bandeira tricolor com a não menos
tricolor bandeira francesa para que assim possamos criar a
bandeira da união destes povos, distintos em muitos aspectos;
porém unidos pelo sentimento maior da liberdade e
igualdade!
Vamos lá Caxias, rumo à vitória! Inspiremos-nos nos
revolucionários de Marselha que defenderam a Revolução, para assim
lutarmos por nosso lugar no pódio do samba! Que os acordes dos
grandes triunfos franceses de outrora mesclem-se ao nosso ritmo
contagiante e crie uma ode à exaltação!
Abram alas, pois a festa vai começar. E nada como o carnaval para
selar essa união, até porque na França também se faz carnaval!
Sapucaí e Nice se entrelaçam num espetáculo de flores, confetes e
luzes! Mascarados franceses de mãos dadas com a ginga brasileira
atravessam esta avenida e juntos nesse corso da folia festejam
essa tão antiga e promissora relação!
No ano da França no Brasil cabe a nós caxienses, e acima de tudo,
brasileiros, nos encarregarmos da homenagem a este país que muito
nos inspirou com idéias, formas e hábitos. Fica aqui a certeza que
muitos outros anos virão! Seja na França ou no Brasil, e com eles
a cada dia se perpetuará a fraternidade entre estas duas nações!
Vive
la France! Viva o Brasil!
Carnavalesco: Cahê Rodrigues
Colaboração e pesquisa: Hiram Araújo
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